Muitas pessoas com alergias sentem que os sintomas mudam ao longo do dia. Nem sempre são iguais de manhã, à tarde ou à noite. Isto acontece por causa do ritmo circadiano, e perceber este padrão pode ajudar a compreender melhor quando os sintomas aparecem e porque se tornam mais incómodos em certos momentos.

Ao acordar, é frequente surgirem espirros repetidos, nariz entupido ou corrimento nasal (rinorreia)  mais intenso. Estes sintomas são mais comuns de manhã porque, durante a noite, o organismo acumula substâncias inflamatórias, como a histamina. Estudos mostram que 70% das pessoas com rinite alérgica sentem os sintomas com mais intensidade nas primeiras horas da manhã.1

Ao longo do dia, os sintomas respiratórios podem aliviar, mas isso não significa que o impacto da alergia desapareça. É comum sentir cansaço, sonolência e maior dificuldade de concentração. Estes efeitos estão muitas vezes ligados a um sono de pior qualidade, afetado pela congestão nasal e pela comichão durante a noite.2

No início da noite, alguns sintomas podem voltar a piorar, como a comichão no nariz e a congestão nasal, dificultando um sono tranquilo. É também por isso que muitas pessoas acordam durante a noite ou têm dificuldade em voltar a adormecer, acabando por se sentir mais cansadas no dia seguinte. A congestão nasal e a comichão tendem a intensificar-se à noite devido à influência do relógio biológico nos processos inflamatórios.

Observar a forma como os sintomas variam ao longo do dia pode ajudar a encontrar estratégias de tratamento mais adequadas e a melhorar tanto o controlo da alergia como a qualidade do sono.

Fontes:

  1. Smolensky, M. H., Reinberg, A., & Labrecque, G. (1995). Twenty-four hour pattern in symptom intensity of viral and allergic rhinitis: treatment implications. The Journal of allergy and clinical immunology, 95(5 Pt 2), 1084–1096. https://doi.org/10.1016/s0091-6749(95)70212-1
  2. Yang T, Wang HR, Mou YK, Liu WC, Wang Y, Song XY, et al. Mutual Influence Between Allergic Rhinitis and Sleep: Factors, Mechanisms, and interventions-A Narrative Review. Nat Sci Sleep. 2024 Sep 19;16:1451-1467. doi: 10.2147/NSS.S482258.
  3. Storms W. W. (2004). Pharmacologic approaches to daytime and nighttime symptoms of allergic rhinitis. The Journal of allergy and clinical immunology, 114(5 Suppl), S146–S153. https://doi.org/10.1016/j.jaci.2004.08.045

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